O termo ‘brinquedo de bilionário’ tem ficado bastante comum no futebol atual, com Suleiman Kerimov sendo uma de suas maiores representações. No entanto, após ter transformado o Anzhi Makhachkala em um dos exemplos mais intrigantes no mundo do futebol ao trazer algumas das maiores estrelas do esporte, com salários enormes, a decisão de cortar custos no clube representa o fim de um sonho que o próprio dono havia iniciado no clube do Daguestão.
O Anzhi era praticamente desconhecido no mundo do futebol antes de Kerimov comprá-lo, em janeiro de 2011, e prometer elevá-los ao nível de postulantes ao título da Champions League. Contratações como as de Samuel Eto’o, Lassana Diarra e William custaram a ele milhões e milhões de euros, e assim Kerimov usou sua riqueza para atrair super estrelas, na esperança de transformar o Anzhi uma força mundial.
O bilionário queria revitalizar a economia e reputação do Daguestão, mas rapidamente encontrou inúmeros bloqueios em seu caminho. A equipe foi forçada a mandar jogos europeus fora de casa, enquanto jogadores faziam treinamentos em Moscou e viajavam para a sede do clube apenas para partidas como mandantes.
Apenas 31 meses depois, Kerimov admitiu sua derrota na busca de concretizar o seu sonho, jogando fora suas cartas e desistindo de toda a idéia de atuar no alto da tabela. Após uma série de eventos, que foram desde atuações ruins no campo até desentendimentos entre jogadores, o magnata decidiu tocar o clube de maneira mais modesta, cortando 100 milhões de dólares do orçamento anual e demitindo o técnico René Meulensteen, que estava somente há 16 dias no cargo.
O início da temporada 2013-14 esteve longe de ser boa para o Anzhi. Com apenas dois pontos somados em quatro partidas e sem o técnico Guus Hiddink, que abandonou o cargo, ficou claro para todos que o clube estava bem longe do sonho de conquistar o Campeonato Russo.
Além disso, o elenco foi se desgastando cada vez mais entre si. Igor Denisov, que chegou do Zenit após alguns problemas pessoais no clube de São Petersburgo, não se integrou da melhor maneira ao vestiário do Anzhi e, assim como acontecera em seu clube formador, voltou a ter atritos com outros atletas.
Denisov, que perdeu na queda de braço para ser pago tão bem quanto Hulk e Alex Witsel no Zenit, rapidamente tentou redistribuir as forças no vestiário do clube de Makhachkala. Quando o jogador da seleção russa trouxe à tona a questão dos altos salários recebidos por Samuel Eto’o, Lassana Diarra e Mbark Boussoufa, o grupo rapidamente se dividiu. A resposta pública de Diarra veio em um carrinho bastante violento dado em Denisov durante um treinamento, enquanto Eto’o saiu com todos os atletas não-russos do campo.
E as coisas não ficaram melhores para Kerimov. O bilionário estaria com problemas de saúde e a sua empresa de fertilizantes, a Uralkali, perdeu meio bilhão de dólares um dia após o colapso de um empreendimento na Bielorússia, reduzindo em 15% o valor de suas ações de uma vez só. Logo depois veio a derrota para o Rostov, que acabou com a paciência de Kerimov e custou o emprego de Meulensteen.
Esta nova realidade levou alguns a idealizarem, alegando que a redução dos custos por causa do Fair Play Financeiro faria o foco de grandes contratações e gastos mudar para investimentos em categorias de base, o que fomentaria a prática esportiva no Daguestão. É, de fato, uma abordagem mais honrosa do que a que Kerimov vinha recebendo anteriormente.
No entanto, este objetivo depende de uma série de fatores. O comprometimento de Kerimov com o clube, mesmo com o risco de potenciais perdas de negócios no futuro é um deles. Como um admirador de sua terra e do futebol, a inabilidade de controlar as grandes estrelas, aquelas de maior salário, assim como o mal desempenho do time nos campos pode testar sua paciência na busca para tornar o clube sustentável e bem sucedido.
O novo orçamento, que gira em torno de 50 a 70 milhões de dólares, está bem distante dos custos de cerca de 150 milhões de dólares. Colocaria o time em algum lugar do meio da tabela. A mudança repentina dificilmente é a melhor maneira de se preparar para uma potencial batalha contra o rebaixamento, levando-se em conta a provável saída dos principais nomes do time.
O clube já ressaltou que os jogadores sairão apenas por um preço justo, mas a necessidade de cortar os gastos vai acabar abaixando os valores da futuras propostas. Willian, Eto’o, Diarra e Yuri Zhirkov estão entre os nomes favoritos para integrarem a barca que sairá do Anzhi. Apenas três anos depois de o clube surgir no cenário internacional, Kerimov parece estar pronto para tirá-lo dos holofotes, em uma situação incrivelmente parecida.
Muito deve se fazer para impedir que o Anzhi pague um preço pesado por ter tido um sonho tão audacioso e para impedir que o clube seja um grande exemplo do quão ruim as coisas podem ficar para agremiações mantidas, e abandonadas , por homens de dinheiro.
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